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Yoga Sutras

Data: 01/08/2013 | Autor: Maria Ioppe | Categoria: Yoga | Visitas: 1534

YOGA SUTRAS DE PATANJALI

Considera-se que Patanjali o escreveu por volta do séc. VI ou V a. C. Em seus 196 sutras  sintetizou o essencial da filosofia e da técnica do Yoga.

Sutra significa “fio”, e corresponde ao fio que une as contas de um japamala (108 contas de um colar que se usa para contar mantras); significa também “costurar”; os textos chamados sutras apresentam a característica da linearidade, em que cada aforismo decorre naturalmente do anterior, e leva o fio do raciocínio a um encadeamento ao aforismo seguinte.

Sutra, (aforismo) é uma frase sintética com profundo significado espiritual. O Yoga sutra é uma união condensada de versos com rima e métrica, não contendo cada verso mais do que seis palavras.

Esse estilo de compor o assunto com pouquíssimas palavras torna difícil sua compreensão, e por essa razão, os sutras são frequentemente acompanhados por comentários mais extensos produzidos por mestres de várias épocas, visando melhor entendimento de seu conteúdo.

Os Yoga Sutras compõem-se de 196 aforismos dispostos em quatro seções, Pádas (páda quer dizer “pé”, significando a base, estrutura), que expõem o método do Yoga para libertar o praticante das transformações materiais e da morte (sutra IV- 33) devolvendo-o à sua natureza autêntica (sutras IV- 34 e I- 3).

Por seu tratamento abrangente e sistemático do assunto, os Yoga Sutras constituem o livro mais adequado a um profundo estudo do Yoga.

Seção I: SAMÃDHI PÃDA (51 sutras)

A primeira seção refere-se à natureza geral do Yoga e ocupa-se em responder à pergunta: “_ O que é Yoga?”

Samãdhi = estado de Yoga; êxtase, onde o yogi é absorvido na Unidade. Samãdhi é

a principal técnica que o yoguim aprende para penetrar nas camadas profundas da mente e alcançar Kaivalya. O autor descreve o Yoga e então a natureza e os meios de atingir samãdhi. Esta seção contém o famoso sutra “yogas citta-vritti-nirodhah

Seção II: SÃDHANA PÃDA (55 sutras)

A primeira parte da seção II tem por objetivo responder à pergunta:

 “_ Por que deveria alguém praticar Yoga?”

Ela trata da filosofia dos kleshas, e analisa as condições da vida humana bem como a miséria e o sofrimento inerentes a tais condições.

Sadhana é o termo sânscrito para “prática” ou “disciplina”. Aqui o autor delineia duas formas de Yoga: Kriya Yoga (Yoga da ação ou Karma Yoga) e Ashtanga Yoga (descreve os oito membros que juntos constituem Rãja Yoga).

A segunda parte da seção II trata das primeiras cinco práticas da técnica do Yoga, referidas como bahiranga ou externas São práticas de natureza preparatória e têm finalidade de tornar o sãdhaka apto à prática do samãdhi. Esta seção ocupa-se em habilitar o estudante física, mental e moralmente à prática do Yoga superior.

Seção III: VIBHUTI PÃDA (56 sutras)

A primeira parte da III seção trata das três práticas restantes referidas como antaranga, ou internas. É através destas práticas que culminam em samãdhi que todos os mistérios da vida do Yoga são desvendados e os poderes ou sidhis são adquiridos. Na segunda parte são discutidas em detalhes estas realizações.

Vibhuti é a palavra em sânscrito para “poder” ou “manifestação”. “Poderes supra-normais” (Siddhis) são adquiridos pela prática do yoga. A tentação por estes poderes deve ser evitada e a atenção deve ser fixada somente na libertação.

Seção IV: KAIVALYA PADA (34 sutras)

Nesta seção são expostos todos os problemas filosóficos envolvidos no estudo e prática do Yoga: a natureza da mente e a percepção mental, o desejo e seus efeitos aprisionadores, da liberação e os resultados que lhe seguem; tratados sistematicamente de forma propiciar uma base teórica adequada.

Kaivalya literalmente significa “isolamento”, mas usada nos Sutras significa emancipação, liberação, e permutada por moksha (libertação), é o objetivo do Yoga. Esta seção descreve o processo de libertação e a realidade do Eu transcedental.

 

 

 

 

Seção I: SAMÃDHI PÃDA

° A NATUREZA ADQUIRIDA

I-1) ATHA YOGÃNUSÃSANAM.

OM, APARTIR DE AGORA UMA EXPOSIÇÃO DO YOGA.

Este sutra resume o conteúdo, para que serve, o que o Yoga Sutra quer alcançar.

Inicia com o pranava OM. OM representa o Absoluto. Como regra geral para os Sutras e os livros sagrados, o primeiro ou os primeiros versos resumem o significado/conteúdo de todo o livro.

Estudo do OM

O som próprio de BRAHM é OM.

(Não confundir com Brahma, o Criador).

BRAHM é o Absoluto, transcende tudo e está além de todo conceito que possamos ter. Ele é o Todo. É a essência de tudo que existe no Universo, de toda e qualquer manifestação.

OM é a essência de todos os sons de poder. É o Todo transcendente, de onde todos os outros sons provêm. Quando entoamos o OM, estamos colocando a nossa consciência, nossas moléculas, nossa mente em contato com essa Consciência Absoluta de BRAHM; é o que nos conecta à BRAHM, a origem de tudo.

BRAHM

Como só existe BRAHM, Ele é o mesmo que se manifesta como UM e TRÊS, e o som que o representa também.

Como Um – é escrito e pronunciado OM.

Como Três – é escrito AUM e pronunciado OM.

AUM

A – ATMA – representa a CONSCIÊNCIA.

U – PRAKRITTI – representa a MATÉRIA.

M – SHAKTI – representa a ENERGIA.

BRAHM se manifesta como Matéria, Consciência e Energia. Estes são os três grandes elementos que compõem tudo no Universo, do menor átomo à maior galáxia.

Existe uma só Consciência (ATMA), única, que compenetra tudo, e que organiza a matéria, manifestando-se por meio dela.

A partir dessa tríplice manifestação inicial: da união da Consciência com a Matéria através da Energia, a Matéria vai se organizando e manifestando-se em vários níveis de evolução como mundos, como planos, como seres, como vida, e a Consciência permanece única, permeando tudo.

I-2) YOGAS CITTA-VRITTI – NIRODHA.

O YOGA SE ALCANÇA MEDIANTE A CONCENTRAÇÃO DA MENTE, ELIMINANDO SUAS MODIFICAÇÕES E TUDO QUE A ESTIMULE.

Kashipta, Mudha, Vikaashipta, Ekagrata, Nirudha.

 

Este talvez seja o sutra mais famoso porque dá o conceito de Patanjali sobre Yoga; possui as quatro palavras mais carregadas de significado que já foram escritas alguma vez.

CITTA geralmente é traduzido como MENTE. Nomeia o centro espiritual da mente humana. É a fonte da qual derivam todos os fenômenos da consciência. É o eixo central em torno do qual giram as atividades mentais do ser humano e que lhe dá as vrittis, suas ferramentas para a existência consciente e para a percepção de sua própria individualidade. CITTA, além de ser a origem e sustentáculo de nossa vida mental consciente, é também descrita como um observador silencioso das ocorrências do mundo.

VRITTIS são os movimentos da mente, as ondas mentais. Um desdobramento a partir de um ponto original; vórtice.

NIRODHA,  é o recolhimento, o ato de trazer para dentro algo que se espalhou do lado de fora.

A mente é matéria, cada estímulo que chega, cada memória evocada, vai provocando ondas.

CITTA projeta no mundo seus desdobramentos, as vritts, e com elas dá origem â nossa existência individual e consciente. As vrittis, porém, animadas pela força projetiva que as originou, continuam a se dividir e espalhar pelo mundo com uma necessidade crescente de se associar aos objetos diferenciados que encontram. Cada objeto que seja capaz de apresentar alguma característica que sugira a presença de citta, atrai essas projeções com uma força irressistível, e as vrittis buscam se apropriar desses objetos como se sua própria existência dependesse disso.  Daí se originam os desejos, que afastam as vrittis de sua origem em lugar de facilitar sua reintegração com citta.

A prática do Yoga tem por objetivo a reintegração das vrittis (ou seja, seu recolhimento, nirodha), novamente em citta.

A trindade de consciência que existe em nós é como uma chama, uma chispa, que tomando energia se torna matéria. Nós estamos buscando esta chama, a nossa consciência interna, porque é o que somos de verdade. Mas o que eu chamo de “eu”, a minha pessoa é o movimento sem clareza e sem consistência das modificações da mente. Yoga se alcança quando a mente está em absoluta estabilidade, em silêncio. No começo se alcança estes estados como “flashs”, pequenos instantes em que a mente pára. Aí se manifesta a percepção da luz, da Verdade, Samãdhi.

Yoga é contato, a meta, não pode ser confundida com o instrumento de contato que é a mente. Chega-se ao contato paralisando as modificações da mente, mas Yoga não é a paralisação.

 A mente é classificada em sânscrito, pelos mestres, em diferentes tipos:

1)    KASHIPTA – MENTE DISPERSA.

É o nosso estado mental habitual. Se prende a um objeto, depois a outro, a outro,..se dispersa no sono e no devaneio.

 

2)    MUDA – MENTE EM BRANCO

Mente adormecida. Estado hipnótico.

 

3)    VIKASHIPTA- MENTE QUE COMEÇA A SE CONCENTRAR

A mente tende à dispersão, mas consegue concentrar-se um pouco no objeto da sua meditação. Conseguir aquietar a mente não exige esforço, ao contrário, é como os asanas. Quanto mais você briga com ela, mais você se cansa e menos controla.

 

4)    EKAGRATA – (EKA = UM) – MENTE COMPLETAMENTE CONCENTRADA EM UM ÚNICO OBJETO – UNIDIRECIONALIDADE DA MENTE.

 

5)    NIRUDHA – MENTE QUE PARECE NÃO EXISTIR, NÃO ESTAR.

É o estado mais elevado; é a mente que parou os movimentos do pensamento, e naquele momento parece que ela não existe – e é nesse momento que surge a consciência da verdade.

Você começou a dirigir a mente numa só direção, depois se funde com o objeto e ela aparentemente desaparece; aí você percebe o fato em si, a realidade. E para que serve isso então? 

 

I-3) TADÃ DRASTUH SVARUPE ‘VASTHÃNAM.        

 

ALCANÇANDO ISTO, O YOGUI CONHECE A SI MESMO TAL COMO É.

 

Esse é o objetivo da supressão das modificações da mente.

As modificações da mente têm uma força de inércia própria, é difícil paralisá-las.

O Yoga é a jornada da natureza adquirida para a natureza original da consciência.

O homem desenvolve em sua jornada através do tempo uma natureza adquirida que é constituída a partir de suas resistências e indulgências, aceitações e rejeições, embates e persistências. Estas são suas reações, tanto positivas quanto negativas, os mecanismos de defesa que ele desenvolve ao encontrar os desafios da vida e formam o modelo com o qual ele se identifica. Patanjali diz que ao se dissolver o próprio centro de reação ou hábito, vem à tona a natureza original do homem, e assim o “vidente” (termo usado por Patanjali para o ser humano nos Yoga Sutras) vê sua natureza verdadeira e original, suas ações possuem uma qualidade de singularidade, pois a ação que emana Dele e não se sua natureza adquirida. A natureza original é aquela que existia anteriormente a todas as modificações com as quais foi revestida posteriormente. Libertar a mente não apenas de todas as modificações, mas do próprio centro que pode dar origem a futuras modificações é, realmente, o objetivo do Yoga.

Quando todas as modificações da mente, em todos os neveis, foram completamente inibidas, o vidente é estabelecido em seu próprio svarupa, ou seja, atinge a auto-realização. Não podemos saber o que é este estado de auto-realização enquanto estivermos envolvidos no movimento das citta-vritti. Só pode ser percebido de dentro para fora, não pode ser compreendido de fora para dentro.

 

 

I – 4) VRTTI – SÃRUPYAM ITARATRA.

 

ATÉ AGORA O ASPIRANTE SE IDENTIFICAVA COM AS MODIFICAÇÕES DA TRÍPLICE PERSONALIDADE, OU EU INFERIOR.

Com os centros de reação não dissolvidos, o vidente permanece identificado com as tendências adquiridas da mente.

 

Quando as citta-vrttis não estão em estado de nirodha, e drastã não está estabelecido em seu svarupa, ele está assimilado com aquele vritti particular que ocorre ocupar, no momento o campo de sua consciência.

Com os centros de reação não dissolvidos, o vidente permanece identificado com as tendências adquiridas da mente. A natureza adquirida constitui a maior barreira na senda do Yoga; agir a partir desta base é estar identificado com as modificações de nossa mente. Neste caso a pessoa considera a si mesma como a própria modificação, tornando-se esta sua própria natureza conhecida como Segunda natureza. Apenas quando esta natureza adquirida é dissolvida é que podemos nos estabelecer em nossa verdadeira natureza. Como se faz isso? Nos sutras seguintes Patanjali nos apresenta o modo de dissolver a natureza adquirida, mas antes disso é preciso entender o processo pelo qual as modificações da mente surgem, sem isso não podemos encontrar maneira de dissolvê-las.

 

I – 5) VRTTAYAH PANCATAYYAH KLISTAKLISTAH

 

AS MODIFICAÇÕES DA MENTE SÃO DE CINCO TIPOS E SÃO DOLOROSAS OU NÃO.

Os centros de reação são os causadores da dor ou do prazer; eles podem ser agrupados de uma maneira quíntupla.

 

Patanjali classifica os vrttis agrupando-os de duas maneiras:

- Primeiro com relação aos nossos sentimentos, sendo todas as modificações da mente que despertam em nós prazer ou dor como dolorosas. As demais que não afetam os nossos sentimentos como de caráter neutro ou não dolorosas.

- Segundo de acordo com a natureza do pratyaya produzido em nossa consciência (citta). Todas as nossas experiências, no domínio da mente, consistem em modificações mentais e nada mais. O controle e a total supressão dessas modificações, extinguem nossa vida inferior e levam-nos à aurora da consciência superior.

Classificados dessa maneira, os vrttis ou modificações são de cinco tipos como mostra o próximo sutra.

 

I – 6) PRAMÃNA – VIPARYAYA – VIKALPA – NIDRÃ - SMRTAYAH

 

(ELAS SÃO) CONHECIMENTO CORRETO, FALTA DE DISCERNIMENTO OU CONHECIMENTO INCORRETO, FANTASIA, PASSIVIDADE OU SONO E MEMÓRIA.

Os meios de expressão da mente (citta) são chamados: evidência (pramãna), inventividade (viparyaya), imaginação (vikalpa), sono (nidrã) e memória (smrti).

 

Qualquer modificação da mente concreta inferior, que opera com nomes e formas, pode ser inserida em um dos cinco grupos, eis porque os vrttis são chamados pâncatayyah – quíntuplos. Essas cinco regiões de atividade mental cobrem toda a extensão das operações da mente, nos níveis consciente, subconsciente e inconsciente, já que a mente é una e estas divisões vertem-se umas nas outras havendo interação constante ente elas.

 

Citta  inclui todos os níveis da mente, o mais baixo dos quais é chamado manas inferior, o qual funciona através de manomaya kosha e trata das imagens mentais concretas, com nomes e formas. O homem comum, cuja consciência está confinada à mente inferior, pode apenas conceber imagens concretas derivadas de percepções obtidas através dos órgãos sensoriais físicos. As citta-vrttis correspondentes aos níveis mais elevados da mente, embora definidos, vívidos e capazes de serem expressos indiretamente, através da mente inferior, estão além de sua compreensão e podem ser percebidas em seus próprios planos no estado do samãdhi, quando a consciência transcende a mente inferior. O Yoga começa o controle e a supressão do tipo inferior das citta-vrttis, com que o sãdhaka está familiarizado e a qual ele pode compreender.

 

Examinemos agora os cinco tipos de modificações, individualmente, um a um.

 

I – 7) PRATYAKSÃNUMÃNÃGAMÃH PRAMÃNÃNI

 

A BASE DO CONHECIMENTO CORRETO É A PERCEPÇÃO DIRETA, O RACIOCÍNIO ADEQUADO E O TESTEMUNHO.

A razão tem suas raízes na cognição sensorial (direta), na inferência e no testemunho de autoridade reconhecida.

As evidências (pramãna) são a percepção direta (física), a inferência (mental) e o testemunho.

 

Pramãnã pode ser traduzido por conhecimento correto ou conhecimento relacionado a fatos; abrange todas as experiências em que a mente está em contato direto ou indireto com o objeto dos sentidos no tempo, e a percepção mental corresponde aos objetos.

 

Neste sutra Patanjali sintetizou todo o escopo do pensamento lógico. A razão move-se pelo caminho indicado pela lógica: a cognição sensorial, a inferência e a autoridade reconhecida.

Pratyaksa = cognição sensorial; percepção – “Eu vi”.

Inferência = é um conhecimento comparativo  que se alcança classificando semelhanças e dessemelhanças.

Para ter validade, o pensamento lógico deve ser corroborado por alguma autoridade reconhecida,          que pode ser uma escritura, ou um especialista, ou nossa própria experiência passada. A autoridade de nossa experiência passada é a autoridade mais determinante, é o verdadeiro ágama (significa a chegada da mente, a sua conclusão).

 

Em todos os três casos a imagem que se forma na mente corresponde a um fato e, assim, a citta vrtti classifica-se como pramãnã ou conhecimento correto. Se o conhecimento estiver errado pertencerá à segunda categoria, isto é, viparyaya.

 

I – 8)  VIPARYAYO MITHYA-JNANAM ATAD-RUPA-PRATISTHAM.

 

A FALTA DE DISCERNIMENTO OU CONHECIMENTO INCORRETO É CONFUNDIR O REAL COM O IRREAL; A VERDADE COM A NÃO VERDADE; A ESSÊNCIA COMA FORMA.

Conhecimento errôneo é uma concepção falsa de uma coisa, cuja forma real não corresponde a tal concepção errada.

 

Sempre que houver falta de correspondência entre nossa concepção de uma coisa e a coisa em si temos um exemplo de viparyaya,.

Confundir o projetado com o verdadeiro é uma condição desprovida de razão, irracional, contrária à pramãna.

Considerar aquilo que é projetado como sendo verdadeiro é cair em ilusão ou mãyã. É o caso de confundir o reflexo com a realidade, a sombra com a substância, o Verdadeiro (aquilo que é real, permanente e eterno) com o Falso (aquilo que é transitório). Na ilusão ou mãya, não se sugere que a substância não existe, nem significa que a sombra inexiste. A confusão de um pelo outro constitui a base da ilusão.

Tanto a razão (princípio da seletividade, ágama ou conclusão) como na irracionalidade (princípio da projeção) surgem das tendências reativas e esta, através de seu funcionamento, sustentam os centros de modificação.

 

I – 9) SABDA-JNANANUPATI-VASTU-SUNYO VIKALPAH.

 

UMA IMAGEM EVOCADA POR PALAVRAS, SEM BASE EM NENHUMA SUBSTÂNCIA É FANTASIA.

A fantasia é a imagem evocada pelo estímulo de palavras sem qualquer realidade por trás de si.

 

Fantasia são vrttis em que não exista contato com um objeto fora da mente e a imagem mental é pura criação da mente.

Esta atividade é provocada por uma palavra expressa ou não. São derivadas essencialmente de percepções sensoriais previamente experimentadas, mas em combinações novas e não correspondentes com a verdadeira experiência.

Exemplos de fantasia são medos e ansiedades, que não têm uma base concreta.

 

I – 10) ABHÃVA – PRATYAYÂLAMBANÃ VRTTIR NIDRÃ.

 

A MODIFICAÇÃO DA MENTE BASEADA NA AUSÊNCIA DE QUALQUER CONTEÚDO É SONO.

A atividade da mente que é desprovida de significado e conteúdo é semelhante à condição de sono.

abhãva-pratyaya; pratyaya denota conteúdo e abhãva indica uma condição completamente desprovida de conteúdo ou significado.

 

No estado de nidrã, ou sono profundo, a atividade mental não para de forma alguma, somente o cérebro é desligado da mente e assim não registra suas atividades. No estado de citta-vritti – nirodha as vibrações do corpo mental inferior são suprimidas conscientemente.

Também pode ser interpretado não no sentido usual de sono, mas como uma condição da mente quando esta divaga, sem qualquer significado ou conteúdo, estando a consciência numa condição de sono ou estupor.

A fim de compreender as vrttis, ou tendências reativas que causam modificações, devemos perceber muito claramente a natureza da divagação, pois tal investigação pode  revelar centros ocultos de reação nas profundezas de nossa consciência.

 

 

I – 11) ANUBHUTA – VISAYÃSAMPRAMOSAH SMRTIH.

 

MEMÓRIA É NÃO PERMITIR A FUGA DE UM OBJETO QUE FOI EXPERIMENTADO.

 Uma tentativa de dar continuidade a uma experiência, mesmo depois que o acontecimento tenha passado, é Memória.

 

Memória é aqui definida como a retenção, na mente, de experiências passadas. A mente não deseja despojar-se do acontecimento, pois em torno deste acontecimento que cronologicamente já passou, ela constrói uma estupenda estrutura de anelo psicológico.

 

Nenhum outro fator é mais poderoso em produzir vrttis na consciência do que a memória psicológica. O homem reage constantemente aos impactos externos da vida a partir deste centro de anelo, e este nasce no campo da lacuna psicológica experimentada com relação a um acontecimento.

Enquanto estas experiências estiverem presentes na mente em sua forma potencial, não podem ser consideradas citta-vrttis. Somente quando estas impressões potenciais são tornadas ativas, sob a forma de imagens mentais, é que podem ser consideradas, como uma  citta-vrtti.

 

I  12) ABHYÃSA – VAIRÃGYÃBHYÃM TAN – NIRODHAH.

 

A DISSOLUÇÃO DOS CENTROS REATIVOS DA MENTE É ALCANÇADA PELA PRÁTICA PERSISTENTE (ABHYÃSA) E PELO DESAPEGO (VAIRÃGYÃ).

 

Yoga á a modificação da matéria que forma a pessoae isso só é conseguido com prática persistente e desapego.

 

I – 13) TATRA STHITAU YATNO’BHYÃSAH.

 

ABHYÃSA É O ESFORÇO PACIENTE E CONSTANTE PARA PERMANECER FIRMEMENTE ESTABELECIDO NESSE ESTADO (DE CITTA-VRTTI-NIRODHA).

 

Abhyasa é todo o esforço no sentido de deter as modificações mentais (alcançar o estado de citta-vrtti- nirodha). Os meios para alcançar esse objetivo são muitos e variados; no sistema apresentado por Patanjali foram relacionadas oito práticas essenciais, por isso é chamado Ashtanga-Yoga, isto é Yoga de oito partes.

 

 

 


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